Música, maestro!
Os Da Weasel estão a gravar o novo álbum e, a julgar pelas palavras do baixista João Nobre à Blitz, nunca a banda de Almada arriscou tanto.
Há muita coisa que Nobre não deseja revelar: os títulos das novas canções estão a ser registados na SPA (e, por isso, não convém ainda falar deles), o conceito do disco está “fechadíssimo” mas no segredo dos deuses e o nome do álbum que a banda finalizará no fim do mês também é assunto proibido – “se o revelar já, irão fazer uma leitura total e transparente do disco”, assegura.
E tudo isto porque o sétimo volume da discografia dos Da Weasel é assumido, sem pruridos, como “um álbum conceptual”. Ainda incógnito, o conceito “está definido e balizado” e representa, pela primeira vez, um enfoque sobre um tema específico – “nada, em absoluto, foge da ideia”. Isso não significa que os Da Weasel abandonem a sua imagem de marca. “Gostamos de ir por terrenos díspares, desde temas a roçar o rock pesado até ao dancehall, passando pelo hardcore”.
No mesmo espaço descentralizado (a algarvia cidade de Olhão) onde foi gravado Re-Definições e com os próprios elementos da banda a trabalhar na produção, os Da Weasel fazem contas com o calendário: “entrámos em estúdio no dia 3 de Janeiro, [mas] a pré-produção começou há cerca de três meses. As gravações prolongam-se até à primeira semana de Fevereiro e, no final do mês, o disco estará gravado e masterizado.” O álbum deverá chegar às lojas no final de Março e a informação vai sendo actualizada em www.daweaselsessions.com.
HIP-HOP SINFÓNICO?
Certo é que o álbum que sucede a Re-Definições será, á semelhança deste, aberto a colaborações. Nobre abre o jogo: “Bernardo Sassetti interpreta um tema, o maestro Rui Massena irá dirigir a Orquestra de Praga em três temas…” e, para já, existe a confirmação de um nome internacional. Trata-se de Atiba, “MC norte-americano que irá lançar o seu primeiro disco este ano” e que empresta a sua voz a um tema “que já está gravado”. É o encontro dos Da Weasel com um jovem artista da área do reggaeton/r&b, que grava para Darkchild Records, de Rodney Jerkins, “um dos grandes colectivos de produtores da actualidade, que trabalhou com Justin Timberkale, Beyoncé, Busta Rhymes, Bidal…”. Outras colaborações, tanto nacionais como internacionais, serão confirmadas em breve.
Se, à partida, salta á vista uma componente sinfónica (que só não soará inesperada a quem testemunhou, no dia 3 de Setembro de 2006, o concerto que os Da Weasel deram junto Á Torre de Belém, acompanhados da Orquestra Sinfónica Portuguesa), é seguro que a mesma não se constituirá como fio condutor do disco – “seria um álbum completamente atípico para os Da Weasel se assim fosse”.
Também a presença de Bernardo Sassetti, músico de uma área habitualmente distante do ofício dos Da Weasel, pode surpreender quem desconhece que os elementos da banda são “fãs incondicionais do Bernardo e da maneira dele estar na música”. O convite começou, diz Nobre, por uma “ousadia” – “tínhamos um tema que pensamos que seria ideal para Bernardo arranjar e interpretar e, para nossa surpresa, ele aceitou” – e o resultado é um instrumental de piano a que Pacman poderá ou não adicionar a sua voz em regime spoken-word.
CONTAS À VIDA
Re-Definições, o álbum de 2004 dos Da Weasel, vendeu 80 mil cópias, atingindo o galardão de quádrupla-platina. A banda duplicou praticamente a soma de Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder (de 2001), levou para casa dois Globos de Ouro (Melhor Grupo e Melhor Canção), esgotou os Coliseus de Lisboa e Porto e logrou o mesmo no mítico Olympia, em Paris. A isto junta-se o título “Best Portuguese Act” nos MTV Europe Music Awards 2004 e a condição de nome cimeiro num dos dias do Rock in Rio Lisboa 2006, com a actuação a ser louvada pelo baixista dos Red Hot Chili Peppers, Flea – que actuaram imediatamente de seguida. O rico palmarés recente não parece ensombrar o momento presente, apesar de Nobre reconhecer que “os Da Weasel atingiram em Portugal um patamar de vendas muito complicado. É uma caminhada difícil – temos plena consciência disso – mas estamos preparados para ir á guerra”.