Música: Da Weasel estrearam-se ontem no Olympia, em Paris

023.jpg"Parece que estamos em casa.” A afirmação de Pacman, um dos vocalistas do grupo Da Weasel, sintetiza na perfeição tudo o que se viveu ontem no Olympia, em Paris, naquela que foi a primeira apresentação na mítica sala de uma banda da nova música portuguesa.Num concerto em que 99,9 por cento da assistência – cerca de 2500 pessoas que esgotaram a lotação – era constituída por portugueses ou lusodescendentes, os Da Weasel inscreveram-se como embaixadores da nova cultura portuguesa.

Ao passarem em revista grande parte da sua carreira, os Da Weasel fizeram subir, sobretudo, o orgulho de ser português. Aliás, a determinado momento do concerto, Pacman chegou mesmo a afirmar: “Não esqueçam o Português. Somos mais de 200 milhões. É o nosso maior património!”.

‘GTA’ deu o mote para um concerto que, apesar de não ter sido brilhante em termos técnicos, valeu sobretudo pelas emoções que despertou no público presente. Uma multidão em que se encontrava muita gente nova a evidenciar com o orgulho tremendo de ser português e a alma lusitana.

“ALMA PORTUGUESA”

Exemplo disso mesmo eram as camisolas e os cachecóis da selecção nacional de futebol envergadas por dezenas de fãs do grupo, um dos quais confessou ao CM que, apesar de ter nascido em França, “a minha alma é portuguesa!”.

Curiosamente, além da forte presença da comunidade lusitana, muitos portugueses fizeram também questão de viajar de Portugal para acompanhar o grupo. Foi o caso da jovem Duda, que veio de São Martinho do Porto, de autocarro, com a mãe, Isabel Marques, ambas fãs incondicionais dos autores de ‘Re-Definições’.

“Este ano já estivemos em 36 concertos deles. Temos em casa um verdadeiro ‘santuário’: as paredes estão cobertas com tudo o que diz respeito aos Da Weasel”, lançou a mãe, de 46 anos, confessando que adora hip-hop. “Já conheço os Da Weasel há 12 anos. São pessoas de mérito”, adiantou, exibindo na mão uma bandeira portuguesa com a inscrição ‘França e Portugal fazem disto coração’.

Mais do que um vulgar concerto, a apresentação dos Da Weasel – seguida na assistência pelos presidentes da EMI Portugal, David Ferreira (acompanhado da mulher, Margarida Mercês de Melo), e da EMI Virgin França – foi uma grande manifestação do nacionalismo português.

Entre a ‘populaça’, o CM encontrou ainda Ana Sofia, de 18 anos, nascida em Paris mas com um nítido sotaque do Norte de Portugal, que avançou para a primeira fila duas horas antes do início do espectáculo: “É a primeira vez que os vou ver ao vivo. Ainda bem que vêm, mas não deviam ser apenas os Da Weasel. Deviam vir mais grupos portugueses”, exclamou.

Ao protagonizar tal manifestação do pulsar português, os Da Weasel escreveram ontem uma página na História do que é ser português!

OPERAÇÃO DE CHARME

Encetando uma verdadeira operação de charme, a Caixa Geral de Depósitos e a produtora de concertos Música no Coração – às quais se ficou a dever o espectáculo de estreia dos Da Weasel em Paris –, fizeram deslocar até à capital francesa cerca de duas dezenas de jornalistas, em representação dos principais meios de Comunicação Social portugueses, da Imprensa escrita à rádio, passando pela televisão. No grupo, encontrava-se o humorista e apresentador Herman José, que, acompanhado da equipa de ‘Herman SIC’, fez diversas gravações em Paris. Uma iniciativa destinada, sem dúvida, a mostrar em França um novo Portugal, um País moderno.

 

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