Músicos sinfónicos rendem-se a Da Weasel

029.jpgJá se viu alguma orquestra sinfónica a tocar desta maneira?", pergunta o maestro Rui Massena perante os músicos da Orquestra Sinfónica, literalmente aos pulos nas cadeiras e a marcar o ritmo com os pés. É o efeito Da Weasel. Inevitável.
No ano passado, o Funchal rendeu-se à versão sinfónica da música da banda. Esta noite é a vez de Lisboa. A partir das 22h00, o público vai poder ver e ouvir, na Torre de Belém e inteiramente à borla, o espectáculo que junta no mesmo palco a mais famosa das bandas de hip-hop portuguesas e nada menos que 52 músicos da Orquestra Sinfónica (!). Tudo sob a batuta de Rui Massena.

O maestro, que fez a adaptação das músicas, transformando temas originalmente compostos para quatro instrumentos (baixo, guitarra, bateria e DJ) em grandes massas sonoras confessa-se muito orgulhoso com o resultado. "Estou emocionado com este trabalho e com a combinação feliz que aqui encontrámos", disse ao CM, acrescentando que uma das mais-valias do projecto é a interacção que se gerou entre todos os músicos. "Há uma energia fantástica que passa entre os intérpretes. Alguns elementos da orquestra até já me confessaram que foram a correr comprar os CD dos Da Weasel...", acrescentou.

O contrário também é verdadeiro. Para a banda, que começa ainda este mês a trabalhar no seu próximo disco (com data de saída provável lá para Fevereiro ou Março de 2007), depois disto nada voltará a ser o mesmo. O líder da banda, o carismático Pacman, admite que a música erudita nunca foi "a sua onda", mas que agora passou a interessá-lo. "É inegável que esta experiência foi muito enriquecedora para todos nós e que nos abriu os horizontes...", conta, confessando-se actualmente admirador de Bach, Vivaldi e Mozart.

O baixista João Nobre vai mais longe. "Não sei o que vai acontecer, mas acredito que esta experiência vai ser fundamental para o futuro do grupo. Nós crescemos muito como músicos e estou curioso para ver o que vai acontecer quando começarmos a trabalhar no novo disco..."

De uma coisa têm todos a certeza: embora não esteja ainda previsto, é um desperdício não se deixar registo deste trabalho tão empolgante.

UMA LINGUAGEM UNIVERSAL

O espectáculo desta noite assinala, oficialmente, o fim da ‘tournée' promocional do álbum ‘Re-Tratamento', dos Da Weasel e é uma forma grandiosa de encerrar um ciclo na vida da banda. No entanto, a colaboração com Rui Massena poderá não ficar por aqui...

De resto, esta não é a primeira vez que o maestro decide misturar géneros distintos de música, aventurando em campos praticamente inexplorados entre nós. Ele, que assume neste momento a direcção da Orquestra Clássica da Madeira (fundada em 1964), trabalhou anteriormente com Maria João, Mário Laginha e Bernardo Sassetti, com resultados igualmente exaltantes. O que reforça a sua convicção de que a música é, realmente, uma linguagem universal. "A música é transversal e pode ultrapassar qualquer barreira", conclui.
 

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