Abriu, na passada quarta-feira, o espaço MUSIC BOX. Com o saudoso Johnny Guitar morto e enterrado sem direito a um funeral condigno, surge finalmente em Lisboa um clube de músicos para músicos e melómanos. O antigo TEXAS bar no Cais-do-Sodré foi totalmente remodelado e passa agora a ter um palco com ecrán de video, com sistema de som e estudo acústico desenhado por Miguel Lourtie (representante da Meyer Sound em Portugal), dispondo a sala projectada pelo arquitecto Rui Orfão capacidade para acolher aproximadamente 240 pessoas. Segundo os responsáveis por detrás do projecto – entre eles Alex Cortez (Rádio Macau, Transformadores) – o conceito passa por “criar um espírito de Club Culture, relacionado com as novas correntes musicais (e não só) com o vídeo e com os new media.” A programação do Music Box vai primar pelo bom-gosto e inovação em todas as frentes, desde os live-acts de bandas até aos Dj’s e Vj’s. Um exemplo: no próximo dia 16 estará entre nós na qualidade de Dj o multifacetado Questlove, baterista e produtor dos The Roots, impulsionador maior do hip-hop e nu-soul norte-americano, cúmplice habitual de nomes como D’Angelo ou Erykah Badu. Philadephia’s Finest. Na programação mensal haverá ainda lugar para uma noite designada “Gueststar”, onde uma personalidade ligada ao meio das artes será convidada a escolher banda, dj e vj a actuar. Temos então assim uma inesperada e antecipada prenda de Natal, porventura a melhor deste ano: uma sala de espectáculos e discoteca que estabelece como prioridade aquilo que na maioria dos casos é hoje em dia, pouco mais do que um pormenor: a Música. Não apenas rock, não apenas “novas tendências”, não apenas hip-hop. Música. Boa. Pode ser que volte a valer a pena “sair à noite” para além de algumas casas resistentes no Bairro Alto e do providencial Lux. Boas Festas!