(continuação da semana anterior)
Por essa altura no Trópico, a agora dj residente do Lux, Yen Sung, passava raros vinis de hip-hop e o Ac, os Family de Melo D e os Zona Dread de Jazzy Jay partilhavam o palco em concertos dados para um público que vinha da “minha” margem sul (do Monte da Caparica ao Miratejo) bem como de vários bairros e zonas de Lisboa (da linha de Sintra à linha de Cascais). Bebia-se cerveja e comia-se boa cachupa. Nos princípios/meados dos anos noventa não se encontrava mais “underground” do que aquilo. Hoje em dia, o Ac vende ouro, tem temas a passar nas telenovelas da TVI e vai ser um dos nomes a abrir as hostilidades na primeira apresentação ao vivo de 50 Cent em Portugal. A música dele mudou? É feita com mais meios e experiência, naturalmente, mas continua com o mesmo feeling. Será que deixou de ser “underground”? Se calhar. Se calhar, não - definitivamante. Não é “underground” no sentido em que é ouvida (quase) da mesma forma por um puto do gueto da margem sul como por um puto de Telheiras… Mas será mainstream ou comercial? Eu preferia chamar-lhe outra coisa, e suspeito que já devem saber o quê…
Pensando nisso, já devo ter escrito umas quatro ou cinco vezes a palavra “underground” neste texto, que começou a ser publicado há duas semanas atrás. No disco dos Madvision vão ouvi-la mais vezes ainda. Este novo projecto junta alguns dos nomes mais importantes e prolíferos do hip-hop tuga: Sam The Kid, Kacetado, Tekilla, Dj Kronic e Dj Link. Se o rapper/produtor S.T.K. é o nome mais conhecido deste grupo, dispensando apresentações fora de um circuito mais restrito do núcleo duro de fãs de hip-hop, os restantes quatro também têm um considerável volume de trabalho distribuído por albúns em nome próprio, mix-tapes, compilações e projectos vários.
(continua)