Fonzie na poeira, Da Weasel no topo da carreira

Do Hot Stage dizia o baixista dos Fonzie que não era um palco secundário porque as bandas que lá tocavam eram as melhores. Lá que encheram o espaço em frente ao palco, encheram - de jovens punks e não só, que levantaram a poeira (como diriam as Sangalos e Mercurys deste mundo), fizeram mosh, crowd surf, e, no geral, mostraram que a audiência do punk está bem e recomenda-se. E as bandas? A abrir, os Tara Perdida do veterano João Ribas mostraram canções de sobrevivência lineares e old school, digamos, na onda de uns Offspring. E os Fonzie, a nossa grande aposta na internacionalização, foram os nossos Green Day, desde a gravata do vocalista ao cabelo louro do baixista. Pouco mais do que os três acordes clássicos dos Ramones, alguma sensibilidade pop e muita alegria, com um belo controlo da dinâmica instrumental, mesmo que desafinando vocalmente, eis a receita para uns bons três quartos de hora. A abrir o palco principal, os cubanos expatriados Orishas não passaram de uma repetitiva incursão na miscigenação percussiva da sua ilha com o hip-hop e rap da West Coast. Já os britânicos Kasabian, pouco conhecidos em Portugal, agarraram quem estava à frente do palco principal, tocando na íntegra o seu álbum de estreia, que é também um campo de batalha entre o rock e a dance music. Na senda do som Madchester (Happy Mondays será a referência mais óbvia), o rock apresentou as guitarras e os pedais estratosféricos, e a dance music expôs a bateria e a caixa de ritmos. O resultado foi um empate que deixou o vocalista Tom Meighan a atirar beijos para a assistência. Antes dos Red Hot Chili Peppers, chega a banda da casa, os portugueses Da Weasel. O grupo de Almada deu um concerto forte, incisivo, propulsionado pelo baixo de Jay-Jay, mas que se ressentiu de um alinhamento que há muito tempo se mantém estável (é sintomático que a versão de Fight for you right to party dos Beastie Boys tenha sido a mais bem acolhida). Os Da Weasel poderão agora estar numa encruzilhada: para onde ir após chegar ao topo da carreira, com concertos no Sudoeste e no Rock in Rio-Lisboa? Eurico Monchique
 

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